Um artigo publicado no portal UOL, sob assinatura do maior especialista brasileiro em mudanças climáticas, o cientista Carlos Nobre, informa que estudos nesta área indicam que, em razão do aquecimento global, até 2070, o Nordeste pode perder mais da metade das áreas adequadas ao cultivo do caju, “símbolo econômico e cultural do semiárido brasileiro”.
Emprego e renda
O caju é muito mais que somente uma fruta. Em Estados como o Piauí, sustenta milhares de famílias com seu cultivo.
Em mais de 100 dos 224 municípios do Piauí há áreas plantadas com caju superiores a 50 hectares – sobretudo nas regiões do Vale dos Guaribas e Chapada Vale do Rio Itaim, maiores produtoras do Estado, que é o segundo em extensão de terras cultivadas com a fruta no Nordeste,
Impacto
Carlos Nobre alerta que haverá um gigantesco impacto socioambiental sobre o Nordeste, considerando que muitas em localidades a cadeia produtiva do caju responde por cerca de 40% da renda mensal das famílias.
Risco efetivo
Diz o cientista que “simulações climáticas recentes indicam que o aquecimento global tende a reduzir de forma significativa as áreas onde o cajueiro consegue sobreviver e produzir no semiárido brasileiro. Hoje, cerca de 18 milhões de hectares ainda apresentam condições favoráveis ao cultivo. No entanto, esse cenário começa a se estreitar nas próximas décadas.”
Menos cultivo
Segundo projeções de cenário, até 2050, o Nordeste pode perder cerca de 36% dessas áreas adequadas. No cenário mais extremo, projetado para 2070, a redução pode chegar a 58%, concentrando as áreas aptas para o litoral do Nordeste. Em outras palavras: mais da metade das áreas hoje aptas ao cultivo do caju pode deixar de sê-lo em menos de 50 anos.
Deserto
O que pode causar toda essa perda é o aumento da temperatura global, com intensificação de secas severas e redução no volume de chuvas. Haveria uma queda de 100 a 150 milímetros nas precipitações anuais nas regiões produtoras de caju, onde a média anual inferior a 800 milímetros, ou seja, com menos chuva haverá queda no rendimento dos cajueiros, além do risco de se acelerar a aridificação.
O que é
Segundo define o cientista, a aridificação é bem mais que redução das chuvas. Trata-se de um processo climático mais complexo, marcado pelo aumento da evaporação, pelo ressecamento dos solos, pela perda progressiva de umidade e pela maior dificuldade das plantas em completar seus ciclos de crescimento e produção.
Já começou
Carlos Nobre explica que esse é um processo em curso. “Dados observacionais mostram que o Nordeste já enfrenta reduções expressivas nos volumes anuais de chuva. Em cidades como Cipó, na Bahia, Parnaíba, no Piauí, e Aracaju, em Sergipe, foram registradas quedas acumuladas superiores a 500 milímetros em séries históricas da precipitação anual. Esses números revelam que o sistema climático da região já está respondendo às mudanças globais, processo que também é intensificado pelo desmatamento da Caatinga”


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