15 de mai. de 2026

Vereador João de Deus é alvo de investigação por suspeita de assédio sexual em Caxingó


Um caso de suposto assédio sexual movimenta a pacata cidade de Caxingó, no norte do estado. O hoje vereador João de Deus Lima — que à época dos fatos era patrão da vítima — é investigado por abusar sexualmente de uma funcionária doméstica em 2019. O processo, soterrado pela burocracia por quase sete anos, só agora foi retirado das gavetas da Delegacia de Buriti dos Lopes.

O crime

Em 25 de agosto de 2019, na localidade de Gangorra de Baixo, zona rural de Caxingó, Carla dos Santos Fortes realizava serviços domésticos na residência de João de Deus Lima quando foi alvo de investidas físicas não consentidas — o patrão tocou seus seios de forma abusiva, aproveitando-se da subordinação laboral que tornava a vítima ainda mais vulnerável.

Apesar de vítima e agressor estarem identificados desde o início, o caso mergulhou em um inexplicável limbo administrativo que durou quase sete anos. O clamor por justiça de Carla e sua família foi silenciado pela inércia das autoridades, enquanto o tempo corria a favor da impunidade.

Só agora, sob a nova gestão da Delegacia de Polícia de Buriti dos Lopes, o Termo Circunstanciado de Ocorrência foi finalmente impulsionado.

A virada jurídica e o fantasma da prescrição

Com a retomada das investigações, a autoridade policial promoveu uma reclassificação jurídica fundamental: o fato passou a ser tratado como assédio sexual, conforme o artigo 216-A do Código Penal. A mudança reconhece o abuso da condição de superior hierárquico na relação de trabalho.

Mas o acerto técnico traz um efeito colateral preocupante: crimes com penas mais brandas estão sujeitos a prazos prescricionais mais curtos. A precisão da tipificação pode, ironicamente, beneficiar justamente quem hoje ocupa uma cadeira na Câmara Municipal.

Testemunhas confirmam

Diligências recentes ouviram testemunhas — entre elas o pai da vítima e ex-colegas de trabalho — que confirmaram o cenário de abuso e reforçaram a narrativa de Carla. O relatório final da Polícia Civil expõe agora um histórico de omissões que manteve o caso represado sem o devido encaminhamento.

O que vem pela frente

O caso segue para o Juizado Especial Criminal, onde o Ministério Público terá a missão de sustentar a denúncia sob a sombra iminente da prescrição. ) episódio de Caxingó é um retrato de como a morosidade estatal revitimiza mulheres — e de como o poder político pode pairar sobre um processo que deveria ter sido resolvido há muito tempo.

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