Um caso de suposto assédio sexual movimenta a pacata cidade de Caxingó, no norte do estado. O hoje vereador João de Deus Lima — que à época dos fatos era patrão da vítima — é investigado por abusar sexualmente de uma funcionária doméstica em 2019. O processo, soterrado pela burocracia por quase sete anos, só agora foi retirado das gavetas da Delegacia de Buriti dos Lopes.
O
crime
Em 25 de agosto de 2019, na localidade de Gangorra de Baixo, zona
rural de Caxingó, Carla dos Santos Fortes realizava serviços domésticos na
residência de João de Deus Lima quando foi alvo de investidas físicas não
consentidas — o patrão tocou seus seios de forma abusiva, aproveitando-se da
subordinação laboral que tornava a vítima ainda mais vulnerável.
Apesar de vítima e agressor estarem
identificados desde o início, o caso mergulhou em um inexplicável limbo
administrativo que durou quase sete anos. O clamor por justiça de Carla e sua
família foi silenciado pela inércia das autoridades, enquanto o tempo corria a
favor da impunidade.
Só agora, sob a nova gestão da Delegacia de Polícia de Buriti dos
Lopes, o Termo Circunstanciado de Ocorrência foi finalmente impulsionado.
A
virada jurídica e o fantasma da prescrição
Com a retomada das investigações, a autoridade policial promoveu
uma reclassificação jurídica fundamental: o fato passou a ser tratado como
assédio sexual, conforme o artigo 216-A do Código Penal. A mudança reconhece o
abuso da condição de superior hierárquico na relação de trabalho.
Mas o acerto técnico traz um efeito colateral preocupante: crimes
com penas mais brandas estão sujeitos a prazos prescricionais mais curtos. A
precisão da tipificação pode, ironicamente, beneficiar justamente quem hoje
ocupa uma cadeira na Câmara Municipal.
Testemunhas
confirmam
Diligências recentes ouviram testemunhas — entre elas o pai da
vítima e ex-colegas de trabalho — que confirmaram o cenário de abuso e
reforçaram a narrativa de Carla. O relatório final da Polícia Civil expõe agora
um histórico de omissões que manteve o caso represado sem o devido
encaminhamento.
O
que vem pela frente
O caso segue para o Juizado Especial Criminal, onde o Ministério
Público terá a missão de sustentar a denúncia sob a sombra iminente da
prescrição. ) episódio de Caxingó é um retrato de como a morosidade estatal
revitimiza mulheres — e de como o poder político pode pairar sobre um processo
que deveria ter sido resolvido há muito tempo.



.jpeg)
.jpeg)


.webp)





.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)


.jpeg)

.jpeg)
.jpeg)

.jpeg)

.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)

.jpeg)

.jpeg)


.jpeg)
.jpeg)






