18 de jul. de 2026

Abuso sexual representa quase 80% dos casos atendidos pelo Navi do MPPI em 2025


O abuso sexual representou quase oito em cada dez casos acompanhados pelo Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navi), do Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), em 2025. O dado integra o Anuário Navi 2025, divulgado nesta quarta-feira (15), que analisou 219 vítimas atendidas pelo órgão em Teresina. O levantamento também aponta que meninas e mulheres correspondem à ampla maioria das vítimas e que adolescentes são a faixa etária mais atingida.

Segundo o estudo, dos 219 casos analisados, 174 foram de abuso sexual, o equivalente a 79,5% dos atendimentos. Em seguida aparecem violência física (6,8%), negligência ou abandono (4,1%), violência psicológica ou ameaça (3,2%), exposição sexual na internet (2,3%), outros tipos de violação (2,3%) e prostituição de menores de 18 anos (1,8%).

Adolescentes são maioria entre as vítimas

O perfil das vítimas revela predominância feminina. Das pessoas acompanhadas pelo Navi, 183 eram do sexo feminino (83,6%) e 36 do sexo masculino (16,4%). Em relação à idade, os adolescentes de 12 a 17 anos representam 46,6% dos casos, seguidos pelas crianças de até 11 anos, que correspondem a 41,1%. Adultos somam 12,3% dos registros.

Padrasto aparece como principal agressor

Outro dado que chama atenção é o perfil dos autores das agressões. O padrasto aparece como o principal agressor, responsável por 22,4% dos casos acompanhados pelo núcleo. Em seguida estão o pai biológico (11,9%) e vizinhos ou amigos da família (11%). Também figuram entre os autores tios (8,7%), outros menores de idade (7,3%), avôs (6,4%), mães ou madrastas (4,6%), professores ou estagiários (3,2%), primos (1,8%) e irmãos mais velhos (1,4%).

Na avaliação da coordenadora do Navi, promotora de Justiça Itanieli Rotondo, os dados permitem traçar um panorama da violência contra crianças e adolescentes atendidos pelo órgão e reforçam a necessidade de fortalecer políticas públicas de prevenção e acolhimento.

"A análise estatística das vítimas acompanhadas pelo Navi/MPPI permitiu traçar um diagnóstico epidemiológico consistente da violência infantojuvenil no município de Teresina. O perfil das vítimas é majoritariamente composto por meninas e adolescentes, sendo o abuso sexual a principal modalidade de violência registrada", afirmou.

O anuário também destaca que o ambiente doméstico e intrafamiliar permanece como o principal cenário das violações de direitos, praticadas, na maioria das vezes, por pessoas próximas às vítimas. Diante desse cenário, o MPPI defende a ampliação de programas de prevenção à violência sexual intrafamiliar, a capacitação de profissionais das áreas de educação e saúde para identificar sinais precoces de abuso e o fortalecimento da rede de atendimento psicossocial, especialmente nas áreas rurais de Teresina.

Como buscar ajuda

Vítimas de violência ou pessoas que desejem denunciar situações de violação de direitos podem procurar o Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navi) presencialmente na Casa da Cidadania, na Rua Mato Grosso, nº 268, bairro Frei Serafim, em Teresina.

O atendimento também é realizado pelos telefones (86) 2222-8163 e (86) 2222-8868, pelo WhatsApp institucional (86) 98152-7263, pelo e-mail navi@mppi.mp.br e por formulário eletrônico disponibilizado pelo Ministério Público.

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