20 de out. de 2026

Pesquisas eleitorais não podem ser registradas a partir desta terça (20)

A divulgação de pesquisas eleitorais entra em uma nova etapa na reta final do segundo turno de 2026. Com menos de uma semana para a votação, terminou nessa segunda-feira (19) o prazo para registrar novos levantamentos de intenção de voto no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pelas regras do calendário eleitoral, os estudos realizados antes do dia da votação podem ser publicados a qualquer momento, inclusive no próprio domingo da eleição.

Entre os próximos levantamentos previstos está o da Quaest, programado para esta quarta-feira (21), com dados sobre a disputa presidencial. Na rodada anterior, divulgada na semana passada, Flávio Bolsonaro (PL) registrou 46% das intenções de voto, enquanto o presidente Lula (PT) apareceu com 44%. A diferença de dois pontos percentuais configurava empate técnico, considerando a margem de erro.

Foto: Ascom/MPF


MP Eleitoral fiscaliza todo o processo de registro de pesquisas

O Datafolha também deve divulgar uma nova pesquisa sobre a corrida ao Palácio do Planalto na quinta-feira (22). No levantamento anterior, os dois candidatos estavam tecnicamente empatados: Flávio Bolsonaro tinha 47%, ante 45% de Lula. Já no sábado (24), véspera da votação, Quaest e Datafolha têm previsão de divulgar seus últimos levantamentos de intenção de voto antes do segundo turno.

A Justiça Eleitoral exige que a divulgação dos resultados seja acompanhada de informações que permitam identificar as características e a metodologia dos levantamentos. Entre os dados obrigatórios estão:

- O período em que a coleta de informações foi realizada;

- A margem de erro;

- O nível de confiança;

- O número de entrevistas;

- O nome da entidade ou empresa responsável pelo levantamento e, quando houver, de quem o contratou;

- O número de registro da pesquisa.

O registro no TSE, porém, não obriga os institutos a divulgar os resultados. A Justiça Eleitoral também não faz uma análise prévia dos dados coletados nem assume a responsabilidade pela publicação dos números.

Em setembro, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, implementou alterações no sistema de registro de pesquisas eleitorais com o objetivo de ampliar a transparência e detalhar as informações metodológicas apresentadas pelos institutos.

As mudanças foram elaboradas com base em um parecer técnico produzido por um grupo de trabalho, após uma reunião entre o magistrado e representantes de empresas do setor. Segundo o texto original, as novas regras começaram a valer em 5 de novembro, um dia após o primeiro turno das eleições. Com as alterações, os dados dos levantamentos passaram a exigir uma apresentação mais padronizada e detalhada.

Os institutos também precisam preencher um questionário de nove páginas, com informações como os municípios incluídos na pesquisa e as datas e os horários exatos de início e término das entrevistas.

Entre os aspectos que devem ser detalhados estão:

- Representatividade e amostra: descrição da população representada, classificação do plano amostral, tamanho projetado da amostra, nível de confiança e margem de erro máxima esperada;

- Procedimentos de campo: método utilizado para alcançar os eleitores e informação sobre o emprego de recursos como áudios, vídeos e imagens durante as entrevistas;

- Estrutura do questionário: ordem em que as perguntas são apresentadas aos participantes.

Suspensão de pesquisa da AtlasIntel

Em 8 de junho, Kassio Nunes Marques determinou a suspensão de uma pesquisa da AtlasIntel após solicitação do Partido Liberal (PL), que apontou possíveis problemas na metodologia utilizada pelo instituto.

Ao analisar o caso, o magistrado afirmou haver indícios de que “a pesquisa possa ter extrapolado os limites da regular aferição estatística”.

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