Os canais de WhatsApp ganharam destaque nas discussões entre as campanhas dos presidenciáveis e nas análises do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na disputa do segundo turno das eleições deste ano. Na reta final do período eleitoral, cogitou-se até desativar os maiores canais políticos 48 horas antes da votação, marcada para o domingo (25), mas isso acabou não ocorrendo.
A origem das principais movimentações no TSE foi o canal “Exército do Lula”, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG), que teve um crescimento exponencial durante o segundo turno, batendo a marca de 10 milhões de inscritos. A mobilização há menos de 15 dias para a eleição gerou tantas reações que no intervalo de três dias cinco medidas judiciais foram adotadas para garantir ou proibir seu funcionamento.
Veja como esses grupos se tornaram tão importantes nas eleições deste ano:
Batalhas no TSE
10 de outubro – Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva pede esclarecimentos à campanha de Lula após denúncia de propagação de notícias falsas no canal “Exército do Lula”.
11 de outubro – O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, ordena a suspensão. No mesmo dia, Cueva derruba a decisão, sob o argumento de que o caso deveria ser submetido ao plenário do TSE, e restabeleceu seu funcionamento.
11 de outubro - A Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do TSE avaliou os conteúdos compartilhados e não identificou irregularidades.
13 de outubro – Kassio retomou a suspensão e estabeleceu que o canal precisava ser registrado junto ao órgão. No mesmo dia, Flávio registrou o canal “Tropa do Flávio” no tribunal e evitou restrições.
13 de outubro – O ministro Marco Aurélio Bellizze determina a retirada do vídeo publicado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL) e replicado no canal “Tropa do Flávio” e também em seu próprio canal no prazo de 24 horas. O conteúdo foi julgado como “propaganda eleitoral irregular”.
14 de outubro – Kassio se reúne com representantes das campanhas para um consenso dos critérios que definem quando canais e perfis nas redes sociais, administrados por terceiros, devem ser considerados oficiais. Não houve consenso sobre o assunto.
16 de outubro - Sem unanimidade entre as campanhas, o TSE define os critérios, que estão: quando há recursos, coordenação, suporte ou orientações de publicação por parte da equipe oficial. E quando os meios oficiais divulgam links direcionando seguidores para o canal.
21 de outubro - TSE discute se canais políticos com mais de 200 mil seguidores, formalizados ou não, devem ser desativados nas 48 horas anteriores e 24 horas posteriores ao segundo turno da eleição.
Canais em apoio às candidaturas
O único canal oficializado pela campanha do Flávio é o “Tropa do Flávio”, com 2.1 milhões de inscritos.
Mas há outros canais, não vinculados à lista do TSE, que compartilham conteúdos em apoio à candidatura do senador, como seu próprio, com 263 mil inscritos. Outro é o “Bolsonaro TV”, gerido por admiradores do ex-presidente Jair Bolsonaro, com 186 mil inscritos. Além do canal “Nikolas Ferreira Oficial 🇧🇷” com 107 mil inscritos, administrado pelo deputado e aliado de Flávio.
Na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) os registrado são: o canal próprio, com 2,2 milhão de inscritos e o “Exército do Lula”.
Entre os canais não registrados estão o do PT, criado em 2023 e com 416 mil inscritos, o “Tropa da Erika Hilton com Lula”, com 837 mil inscritos, o “Cristãos com Lula 13”, com 8,7 mil inscritos, e o canal “Lula 13 Dia 25#13 Vote Lula” com 5,4 mil inscritos, criado por admiradores.



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