De discursos de apoio explícito a um descolamento da conjuntura nacional, o debate entre candidatos ao Governo do Piauí promovido pelo Grupo Cidade Verde deu oportunidade para uma série de argumentos, inclusive em relação a outros cargos, seja Presidência ou Senado.
Por diversas vezes, o candidato à reeleição, governador Rafael Fonteles (PT), trouxe à tona o alinhamento partidário e político com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Além de Lula, Rafael Fonteles também fez inúmeras menções à chapa majoritária que o acompanha, com os nomes de Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD), e garantiu que o presidente petista apoia toda a chapa governista do Piauí. Também aproveitou o embalo e chamou a militância para o evento que ocorrerá na quarta-feira (09) com Lula em Teresina.
Não só com o lado positivo desse apoio, ele também foi questionado sobre diferenças de posicionamento político-administrativo, como, por exemplo, as privatizações realizadas pela gestão petista no Piauí, o que destoa do perfil do governo lulista.
Já Joel Rodrigues, candidato pelo Progressistas, foi constantemente cobrado pela aliança política com o senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira. Em meio a esses questionamentos, fez questão de defender o senador progressista, destacando a política municipalista do parlamentar e ressaltando que, por isso, até prefeitos petistas o apoiam. Aproveitou para, nas últimas perguntas, alfinetar a candidatura de Júlio César (PSD) ao Senado.
Sobre o voto para a Presidência da República, Joel Rodrigues afirmou que “não decidiu ainda” e disse que governará com qualquer presidente que for eleito. Assim, evita mal-estar com o eleitor de Lula (no estado mais lulista do Brasil) e não perde o eleitor de direita que naturalmente o acompanha. Ainda que esse posicionamento frustre a ala bolsonarista, é tida como suficiente a presença de Thiago Junqueira, candidato ao Senado pelo PL, na chapa da oposição — assim, fideliza esse recorte de base e amplia o repertório ideológico do discurso oposicionista.
Ao longo do debate, o candidato do Democracia Cristã, Francisco Jurity, também teceu críticas a Marcelo Castro, candidato ao Senado pelo MDB. Gustavo Henrique, do Avante, fez referência constante ao candidato à Presidência, Augusto Cury, assim como Santiago Belizário, da Unidade Popular, fez referência a Samara Martins, e Geraldo Carvalho, do PSTU, a Hertz Dias.
Ainda que o Piauí não seja uma ilha e que uma candidatura acompanhe toda a estratégia de um grupo, é interessante perceber a dinâmica da Eleição de 2026, em que os discursos podem até não ter menção à Presidência, mas é impossível não ser falado do Senado. A força do Congresso Nacional é perceptível em detalhes como estes.(Por Lívia Pessoa/cidadeverde.com)


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