A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou nesta segunda-feira (24) uma carta aberta aos candidatos das eleições de 2026 listando sete diretrizes para o futuro da saúde pública no Brasil. O documento propõe um debate amplo, que vai muito além de erguer paredes de hospitais ou distribuir remédios, tocando em pontos centrais como soberania científica, crise climática e o combate à desinformação.
Mas quando direcionamos o holofote para a corrida ao Palácio de Karnak em 2026, a coluna analisou o que os nossos candidatos a governador colocaram no papel e fica nítido que o Piauí tem consensos claros, mas também pontos cegos para prestar atenção.
Os Consensos: Onde as propostas se encontram
Apesar do tom acirrado dos bastidores eleitorais, se colocarmos os planos de gestão lado a lado, as candidaturas convergem diretamente em pelo menos quatro pilares da Carta da Fiocruz:
- Descentralização da saúde (Ponto 1): É unanimidade. De Rafael Fonteles (PT) a Joel Rodrigues (PP), passando pela oposição e pelo campo progressista, todos concordam que o modelo centralizado em Teresina sufoca a capital e penaliza o interior. O fortalecimento dos polos de Parnaíba, Picos, Floriano e Bom Jesus é a grande pauta comum para desafogar as filas de regulação.
- Valorização dos trabalhadores (Ponto 2): A cobrança por concursos públicos regulares, a aplicação/revisão dos Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e o piso da enfermagem aparecem em propostas que vão da Dra. Lúcia Santos (PSDB) ao bloco de esquerda (PSOL, UP e PSTU). Travar a precarização do trabalho virou compromisso verbalizado de ponta a ponta.
- Inovação e Telessaúde (Ponto 3): Se a Fiocruz fala em produção de insumos e soberania tecnológica, o Piauí responde na ponta do serviço: Rafael Fonteles e Elizeu Aguiar (NOVO) apostam fortemente na expansão da telemedicina e do prontuário eletrônico unificado como atalhos para encurtar distâncias no Semiárido.
- Proteção dos mais vulneráveis (Ponto 4): A pauta da inclusão ganhou protagonismo próprio. Propostas como as de Ravenna da Inclusão (Democrata) trazem para o centro da mesa a criação de centros de referência para pessoas neurodivergentes (TEA/TDAH) e PCDs, enquanto as pautas sociais direcionam o olhar para a saúde no campo e em comunidades quilombolas.
Os pontos esquecidos: O que os candidatos piauenses não tratam
O dado mais revelador do confronto entre a Carta da Fiocruz e as propostas locais está no que não foi dito:
- Crise Climática x Saúde (Ponto 5): O Piauí vive ondas severas de calor, queimadas no Rocio e secas prolongadas no Semiárido. Mesmo assim, quase nenhum plano de governo estadual conecta diretamente os impactos ambientais ao colapso do atendimento sanitário.
- Combate à Desinformação (Ponto 6): Em tempos em que mentiras e fake news derrubam os índices de vacinação infantil no estado, a comunicação científica e o combate à desinformação foram relegados ao plano genérico de "campanhas de conscientização".
O desafio para o governador eleito em 2026 será sair do básico e entender que gerir a saúde no Piauí dos próximos anos exigirá muito mais do que gerir hospitais.(Por Lívia Pessoa/cidadeverde.com)



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