Dos 158,7 milhões de eleitores brasileiros, 52,8% são mulheres. No Piauí, a proporção se repete: são 1,4 milhão de eleitoras, representando 52% do eleitorado estadual. Essa maioria não é novidade de 2026, desde os anos 2000 as mulheres são maioria nas urnas brasileiras. O que mudou, então? O perfil e o comportamento dessas eleitoras.
Sejam conservadoras ou progressistas, de direita ou de esquerda, existe um forte sentimento de comunidade se intensificando nas redes sociais. O desejo de "fazer parte de algo" tornou-se central. Em meio a um cenário ainda dominado por candidaturas masculinas para os cargos majoritários, o papel das primeiras-damas e das candidatas a primeiras-damas, passa por transformações decisivas para a construção de novas lideranças políticas.
No plano nacional, Michelle Bolsonaro dialoga diretamente com a comunidade de mulheres conservadoras, enquanto Rosângela "Janja" da Silva projeta sua voz na defesa de pautas e bandeiras progressistas. Ambas agrupam mais do que uma base eleitoral: constroem identidade de grupo.
A coluna analisou que no Piauí, o movimento ganha contornos próprios. Vemos duas figuras de perfil historicamente mais reservado que, impulsionadas por essa virada de estratégia eleitoral, vêm ocupando espaço como lideranças:
- Isabel Fonteles: Primeira-dama e médica, esposa do governador Rafael Fonteles (PT). Além de liderar programas governamentais, como o Pacto pelas Crianças, Isabel tem intensificado sua presença nas redes sociais e nas agendas políticas, discursando e articulando diretamente com lideranças regionais.
- Márcia Rodrigues: Pedagoga e esposa do candidato da oposição ao Governo do Piauí, Joel Rodrigues (PP). Márcia vem ganhando protagonismo em caminhadas e encontros políticos, com destaque para sua atuação na ala feminina do Progressistas e no incentivo à participação das mulheres no processo eleitoral.
Mas qual seria a diferença do cenário brasileiro para o piauiense? O nicho. Enquanto Michelle e Janja falam com públicos bastante segmentados e ideologizados, Isabel e Márcia buscam alcançar um espectro mais amplo de eleitoras, tanto as que acompanham as candidaturas, como as indecisas, adotando um tom suprapartidário e transversal.
O cenário aponta para um caminho sem volta: o protagonismo feminino, seja na urna ou na construção das campanhas, é requisito indispensável na política contemporânea, mesmo diante dos históricos obstáculos que a estrutura partidária ainda impõe.(Por Lívia Pessoa/cidadeverde.com)


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