14 de ago. de 2026

Morte de paciente no Heda levanta debate sobre ferimentos em diabéticos; médico esclarece


A morte de José Carlos da Silva Marinho, de 67 anos, ocorrida nesta quarta-feira  (12), no Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA), em Parnaíba, levanta debate sobre a importância dos cuidados com ferimentos em pacientes diabéticos.

Os cuidados com ferimentos não são necessários apenas para pessoas diabéticas, mas para todos em geral. Contudo, pacientes com diabetes precisam de uma atenção redobrada.  Embora a mordida ou o arranhão de um gato não sejam fatais por si só, a falta de higienização e tratamento adequado de ferimentos causados por mordeduras de animais podem levar a complicações como infecções, septicemia (infecção generalizada) e tétano, especialmente em pessoas com sistema imunológico comprometido

Ao ser internado no hospital no dia 24 do mês passado, o paciente informou que teria sido arranhado, mordido por um gato. José Carlos era diabético e o ferimento levou a infecções e complicações.  

O médico Wallace Miranda, endocrinologista e professor da Universidade Federal do Piauí (Ufpi), explicou que é preciso ter muito cuidado com relação a ferimentos, principalmente nos pacientes com mais de 60 anos que têm diabetes. Segundo ele, com o passar do tempo, se não for cuidado, aumenta a probabilidade de ter a chamada neuropatia diabética. 

“A neuropatia diabética afeta os membros de fibras grossas e as fibras finas, principalmente no paciente que tem diabetes tipo 2, que é idoso. O paciente pode ter também um problema de hipertensão, pressão alta, problema de colesterol alto, que levam a uma dificuldade maior em relação à circulação, como também ao próprio nervo”, disse Wallace Miranda, que foi presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM/PI), de 2023 a 2024. 

De acordo com o médico, sem o tratamento adequado, o paciente pode ter um desgaste desse nervo e a pessoa pode chegar a ter uma redução da sensibilidade.

“A pessoa não vai sentir de maneira adequada e um ferimento pode se transformar em uma coisa maior. Nesse caso, o ferimento pode se infeccionar, levar a um risco maior de ter uma amputação, há situação que é necessária a amputação para preservar a vida do paciente que convive com diabetes”, disse.

Ele destaca que em qualquer ferimento causado por uma topada, uma pedra no sapato, uma mordida de animais, tem que ser cuidado imediatamente. 

“Seja alguma ferida em qualquer partes do corpo é importante ficar sempre de olho”.

Quando houver algum ferimento, o médico disse que o cuidado inicial é lavar a região e procurar um profissional de saúde adequado. 

“O profissional de saúde vai avaliar se há algum sinal de infecção, se precisa de algum antibiótico, analisar a taxa do diabetes. Uma taxa aumentada de diabetes diminui até a imunidade da pessoa, por exemplo. Então, tem que ficar atento, pois dificulta a cicatrização da ferida por causa dessa lesão”.

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