30 de ago. de 2026

Autismo não é doença. Mas o abandono pode causar comorbidades

Existe uma diferença enorme entre dizer que uma pessoa autista precisa ser “curada” e reconhecer que ela pode precisar de terapia, acompanhamento e suporte especializado. O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento. Porém, quando as necessidades de uma pessoa autista não são identificadas e acompanhadas adequadamente, algumas dificuldades podem se tornar muito maiores.

Ansiedade, fibromialgia, depressão, alterações do sono, isolamento social, dificuldades alimentares, crises de desregulação emocional e problemas relacionados à comunicação e à autonomia podem fazer parte da realidade de algumas pessoas autistas.

Foto: Reprodução


Autismo não é doença. Mas o abandono pode causar comorbidades

E não podemos esquecer que algumas pessoas com TEA também apresentam outras condições associadas, como TDAH e epilepsia.

Mas atenção: isso não significa que a falta de terapia seja a causa dessas doenças. Significa que o acompanhamento adequado pode ajudar a identificar precocemente dificuldades, desenvolver estratégias e reduzir o impacto delas na vida da pessoa.

Terapia não deve ter como objetivo “apagar” o autismo. Deve ajudar a pessoa autista a se comunicar, desenvolver autonomia, lidar com suas emoções, enfrentar dificuldades sensoriais, melhorar sua qualidade de vida e participar da sociedade com mais independência.

Porque muitas vezes o que parece “comportamento difícil” é uma pessoa tentando comunicar uma necessidade que ninguém conseguiu compreender.

Por trás de uma crise pode existir sobrecarga.

Por trás do isolamento pode existir sofrimento.

Por trás de uma dificuldade de comunicação pode existir uma necessidade que ainda não encontrou o caminho para ser expressada.

Por isso, quanto mais cedo a família perceber as necessidades da pessoa autista e buscar profissionais capacitados, melhor.

O autista não precisa ser consertado.

Ele precisa ser compreendido.

Precisa ser respeitado.

E, quando necessário, precisa ser acompanhado.

Porque inclusão de verdade não é apenas colocar o autista dentro de um ambiente.

É criar condições para que ele consiga viver, aprender, se desenvolver e ser feliz dentro dele.

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