A Justiça Federal manteve a expulsão da estudante de Medicina Jeovanna Gabryella Reges da Silva, investigada pela Polícia Federal por suspeita de fraude no vestibular do Instituto de Educação Superior do Vale do Parnaíba (IESVAP), em Parnaíba. A decisão foi assinada no dia 5 de março de 2026 pelo juiz federal José Gutemberg de Barros Filho, da Vara Federal Cível e Criminal da Subseção Judiciária de Parnaíba.
A estudante havia ingressado com um mandado de segurança na Justiça Federal tentando anular o ato administrativo que determinou sua expulsão do curso de Medicina e pedindo a reintegração ao ambiente acadêmico. No processo, a defesa de Jeovanna alegou que o procedimento disciplinar instaurado pela instituição violou os princípios do contraditório e da ampla defesa, além de afirmar que a decisão teria sido baseada apenas em informações divulgadas na imprensa e em elementos da investigação da Polícia Federal.
Ao analisar o caso, o magistrado entendeu que o processo administrativo instaurado pelo IESVAP respeitou as garantias constitucionais e os trâmites previstos no regimento interno da instituição. Na sentença, o juiz destacou que a estudante foi formalmente notificada sobre a abertura do procedimento, apresentou defesa prévia e teve ciência dos atos administrativos praticados durante a apuração.
O juiz também ressaltou que a ausência de condenação criminal definitiva não impede a aplicação de sanções administrativas pela instituição de ensino. Segundo a decisão, as esferas penal e administrativa são independentes, permitindo que a faculdade aplique penalidades disciplinares com base nos elementos reunidos na investigação interna. Ao final, a Justiça Federal negou o pedido da estudante e reconheceu a regularidade do processo administrativo que culminou em sua expulsão do curso de Medicina.
Saiba
como estudante agiu para fraudar vestibular
Jeovanna
Gabryella Reges da Silva é investigada pela Polícia Federal no âmbito da
Operação Passe Livre, que apura um esquema criminoso especializado em fraudes
em vestibulares de Medicina e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
De
acordo com as investigações, a estudante teria pago R$ 2 mil a André Rodrigues
Ataíde, apontado como líder do esquema criminoso. A PF identificou que Jeovanna
forneceu uma segunda via do documento de identidade, que teria sido adulterado
para incluir a fotografia de outra mulher, identificada como Adriele Pedroso,
responsável por realizar a prova do vestibular do IESVAP em nome da estudante.
As
investigações apontam ainda que o grupo burlava sistemas de segurança de
vestibulares online, permitindo que terceiros resolvessem provas para
candidatos interessados em ingressar em cursos de Medicina. Em alguns casos,
segundo a Polícia Federal, o esquema atuava simultaneamente para até nove
candidatos.
Operação
Passe Livre
A
Operação Passe Livre foi deflagrada inicialmente em fevereiro de 2024 para
investigar fraudes no Enem. Conforme a Polícia Federal, André Rodrigues Ataíde
teria realizado provas do exame em nome de outros candidatos nos anos de 2022 e
2023, possibilitando aprovações fraudulentas em cursos de Medicina.
Durante
a 4ª fase da operação, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em estados
como Piauí, Pará, São Paulo e Tocantins. Em Parnaíba, os agentes realizaram
buscas no apartamento de Jeovanna, localizado no Condomínio Ideal Residence, no
bairro Frei Higino.
O
IESVAP informou em nota anteriormente que acompanhava os desdobramentos da
investigação e que adotaria todas as medidas administrativas necessárias diante
do avanço das apurações conduzidas pela Polícia Federal.
Outro
lado
Jeovanna
Gabryella não foi localizada para comentar o caso. O espaço está aberto para
esclarecimentos.



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