15 de abr. de 2026

Valdeci Cavalcante se manifesta contra fim da escala 6x1: "se acham com mais direitos que Deus"


O empresário Valdeci Cavalcante, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio) no Piauí, se manifestou contra o fim da escala 6x1 de trabalho. Em vídeo publicado nessa terça-feira (14), nas redes sociais, ele disse que a mudança aumentará os custos para o empresariado que, consequentemente, cobrará do consumidor.

Na legenda da publicação, Valdeci Cavalcante, que também lidera o Sesc e o Senac no Piauí, criticou os políticos que apoiam essa proposta, fazendo uma analogia bíblica. “Deus trabalhou seis dias e descansou no sétimo. E os políticos querem tirar o nosso direito de trabalharmos seis dias. Será que eles se acham com mais direitos do que Deus?”, escreveu.

Segundo o empresário, o modelo de escala 5x2 já é adotado em muitos setores, em negociações diretas com os trabalhadores. “Na construção civil, no campo e em outros setores mecânicos, as pessoas trabalham de segunda a sexta, mas trabalham uma hora extra para não trabalhar no sábado. Isso já é feito entre empregado e empregador”, disse.

Para o presidente da Fecomércio, a proposta vai aumentar as despesas do setor empresarial com mão de obra, o que, de acordo com ele, vai refletir no preço dos serviços e produtos.

“Sabe quem vai pagar esse valor a mais por cada um [funcionário]? Você! Eu vou tirar do seu couro, eu vou tirar do seu bolso, eu vou aumentar o preço do arroz, da carne, do feijão, do macarrão, dos ovos, vou aumentar o preço de tudo. E é isso que você quer? Você quer que a gente continue sustentando mais de dois terços da população sem trabalhar? Por isso, eu peço, deputado e senador do Piauí, não vote nesse projeto”, finalizou Valdeci Cavalcante.

As propostas

Nessa terça-feira (14), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei que reduz o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer redução salarial.

Em paralelo, já tramitam na Câmara dos Deputados duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema. A PEC 8/25 prevê a adoção da carga semanal de quatro dias de trabalho e três dias de descanso, enquanto a PEC 221/19 reduz de 44 para 36 horas a jornada semanal do trabalhador.

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