Professores da rede municipal de ensino de Cocal da Estação realizaram, na manhã desta sexta-feira (30), um protesto em frente à Secretaria Municipal de Educação para cobrar transparência na prestação de contas dos recursos do Fundeb 2025. A mobilização ocorre em um momento em que a educação do município está no centro de sucessivos questionamentos envolvendo milhões de reais em verbas públicas gastos pelo prefeito Cristiano Britto.
Professores protestam em Cocal e cobram transparência do Fundeb – Foto: ReproduçãoOs educadores afirmam que protocolaram, ainda no início do mês, um ofício e um abaixo-assinado solicitando esclarecimentos sobre a aplicação dos recursos do Fundeb, especialmente os 70% obrigatórios destinados à valorização dos profissionais da educação. Segundo a categoria, apesar das cobranças formais, não houve resposta da Secretaria Municipal nem do prefeito até o momento.
De acordo com os professores, houve sobra de recursos do Fundeb, que, conforme a legislação, poderia ter sido utilizada para o pagamento de abono salarial ao final do ano. O rateio, no entanto, não ocorreu, e a ausência de explicações oficiais aumentou a insatisfação da categoria.
O protesto dos professores da rede municipal de ensino de Cocal da Estação ocorre em um contexto mais amplo de questionamentos sobre a gestão dos recursos da educação no município. Nos últimos meses, uma série de reportagens investigativas revelou que a Prefeitura de Cocal da Estação esteve no centro de denúncias envolvendo milhões de reais em verbas públicas, especialmente ligadas ao Fundeb e a outros programas educacionais.
“Farra dos livros”
Na chamada “farra dos livros”, documentos oficiais indicaram que os gastos com material didático saltaram de cerca de R$ 300 mil por ano, em gestões anteriores, para mais de R$ 6 milhões em poucos meses, mesmo com o município já sendo atendido gratuitamente pelo Programa Nacional do Livro Didático. As compras incluíam livros para a mesma faixa etária já contemplada pelo MEC, sem justificativa pedagógica formal para a duplicidade, além de pagamentos concentrados em curto período.
Outro ponto sensível foi a contratação quase simultânea de dois grandes contratos ligados à educação, que somaram aproximadamente R$ 13 milhões em apenas cinco dias. As investigações apontaram que as mesmas unidades escolares apareciam repetidamente em contratos distintos, tanto para compra de materiais quanto para serviços de manutenção, muitas vezes com recursos do Fundeb. Em vistorias e levantamentos, algumas dessas escolas foram encontradas fechadas, sem funcionamento regular ou sem sinais visíveis de reformas, apesar de constarem como beneficiárias dos gastos.
É nesse cenário que se insere a manifestação dos professores, que agora cobram transparência na aplicação dos recursos do Fundeb 2025, especialmente dos valores destinados à valorização da categoria.(Lupa1)


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