16 de fev. de 2026

“O Estado não pode matar, tem que prender”, afirma Chico Lucas em entrevista à VEJA

A redução consistente dos indicadores criminais no Piauí projetou o secretário estadual de Segurança Pública, Chico Lucas, para o cenário nacional. Após apresentar resultados considerados positivos na área, ele foi nomeado, no final de janeiro, para o cargo de secretário nacional de Segurança Pública no Ministério da Justiça, durante a gestão do ministro Wellington César Lima e Silva.Desde 2022, o estado registrou queda de 34% na taxa de homicídios e redução de 44% nos latrocínios. Programas como o “Meu Celular de Volta” serviram de base para iniciativas replicadas em nível nacional, como o “Celular Seguro”. Segundo Lucas, é possível conciliar uma política firme de segurança pública com a proteção aos direitos humanos.

“O Estado não pode matar, o Estado tem que prender. A responsabilização deve acontecer com investigação, elucidação e processos justos”, afirmou em entrevista à revista Veja.

Foto: 180grausSecretário Chico Lucas
Secretário Chico Lucas

De acordo com o secretário, o enfrentamento à criminalidade no Piauí foi estruturado a partir de uma estratégia baseada em inteligência, integração institucional e monitoramento constante dos crimes violentos. A atuação priorizou o aperfeiçoamento dos inquéritos policiais, a integração entre Polícia, Ministério Público e Judiciário e o aumento da taxa de esclarecimento de homicídios, resultando na retirada de criminosos violentos das ruas.

Outro ponto destacado foi a redução da letalidade policial, mesmo com o aumento significativo no cumprimento de mandados de prisão. Em 2025, foram registradas apenas 20 mortes por intervenção policial no estado, índice considerado baixo em comparação nacional.

Para conter o avanço das facções criminosas e o controle territorial em bairros, a política adotou uma estratégia dupla: descapitalizar financeiramente as organizações e atacar diretamente autores de crimes violentos. Operações como a Carbono Oculto 86 miraram redes usadas para lavagem de dinheiro, incluindo mais de 40 postos de combustíveis, enquanto investigações direcionadas focaram na responsabilização penal e no encarceramento de indivíduos com maior potencial lesivo.

No debate nacional sobre encarceramento, Lucas afirma que a política deve diferenciar perfis criminosos. Segundo ele, a maioria dos presos responde por delitos de menor potencial ofensivo, enquanto uma parcela reduzida — formada por criminosos violentos — exige resposta estatal mais rigorosa.

“Esses não são a maioria, mas são os que impactam diretamente a sensação de segurança da sociedade”, afirmou.

O secretário também rebate a ideia de que existe contradição entre defesa dos direitos humanos e políticas firmes de segurança pública. Para ele, trata-se de uma falsa dicotomia, já que a responsabilização criminal dentro da legalidade é o principal instrumento para combater a violência sem abrir mão das garantias fundamentais.

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