Faculdades de Medicina com desempenho insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) recorreram à Justiça na tentativa de impedir a divulgação pública das notas individuais obtidas na avaliação. A estratégia, adotada por diversas instituições privadas, reacende o debate sobre transparência e qualidade na formação de médicos no Brasil.

Entre as instituições que se mobilizaram judicialmente está a Afya Faculdade de Parnaíba, localizada no litoral do Piauí. A unidade obteve nota 2 no Enamed 2025, uma das mais baixas entre os cursos avaliados, e figura entre os mais de 100 cursos de medicina do país com conceito considerado insatisfatório na avaliação nacional. 
Resultado preocupante e reação judicial
O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica foi criado para aferir se os futuros médicos estão saindo das universidades com as competências mínimas exigidas para o exercício da profissão. No entanto, o desempenho de várias instituições deixou autoridades médicas em alerta.
Para muitos especialistas e entidades, a tentativa de barrar a divulgação das notas individualizadas das instituições representa uma tentativa de ocultar deficiências educativas em vez de enfrentá-las publicamente.

Afya Parnaíba e a busca por esclarecimentos
A Afya Faculdade de Parnaíba divulgou nota afirmando que está acompanhando a divulgação dos resultados e que “análises feitas por instituições de todo o país indicam divergência de dados”, aguardando esclarecimentos técnicos do Ministério da Educação (MEC) e do Inep antes de se manifestar de forma conclusiva sobre os números apresentados. 
Apesar de ter ficado apenas com conceito 2, a unidade pode sofrer sanções administrativas do MEC, como a redução de vagas para ingresso de novos alunos e a proibição de aumentar sua oferta acadêmica, medidas previstas para cursos que apresentam desempenho insuficiente no Enamed. 
Críticas de entidades médicas
O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, já havia apontado que os resultados do Enamed revelam uma crise estrutural na formação médica no país, e que tais dados deveriam ser amplamente divulgados e utilizados como instrumento de regulação e aperfeiçoamento dos cursos. Em suas declarações, ele ressaltou que “a população não merece médico mal formado”. 
Dados oficiais mostram que, dos 351 cursos avaliados em todo o Brasil, cerca de 30% ficaram nas faixas consideradas insatisfatórias (notas 1 e 2), o que pode gerar desde a redução de vagas até a suspensão de acesso a programas como o FIES, dependendo do caso. (Portal Encarandp)


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