De forma folclórica, o povo costuma dizer que o caranguejo sai do mangue para “pular o Carnaval”. A explicação popular faz parte da cultura local, mas, na prática, o que acontece é um fenômeno natural conhecido como andada do caranguejo, também chamado de mutada brava.
Esse período geralmente ocorre nos meses de verão e coincide com as fases de lua cheia e lua nova, muitas vezes próximas ao Carnaval. Nessas condições, os caranguejos saem de seus buracos e passam a caminhar pelo mangue com um objetivo bem definido: a reprodução da espécie.
No caso das fêmeas, quando estão grávidas, elas apresentam um órgão conhecido popularmente como mira. Nessa fase, é comum que se afastem em direção ao mato ou a áreas mais firmes, onde realizam um processo natural de limpeza, eliminando líquidos do organismo. Trata-se de uma etapa fisiológica essencial para o desenvolvimento e a proteção das crias.
Quando o deslocamento se torna mais difícil, esse movimento exige ainda mais cuidado. Especialmente no retorno ao mangue, qualquer ferimento pode comprometer a reprodução e a sobrevivência da espécie.
Por isso, a andada não tem relação com “manha”, “mimo” ou comportamento anormal. É um fenômeno natural, fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas de manguezal e para a continuidade da população de caranguejos.
Vale destacar também que o termo “Lava da Minga”, ainda utilizado por algumas pessoas, é antigo e já não é adotado oficialmente. A denominação correta é andada do caranguejo, um período que demanda atenção especial das autoridades ambientais, inclusive com a adoção do defeso, que proíbe a captura dos animais para garantir a reprodução e a preservação da espécie.



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