26 de mar. de 2025

Juiz põe casal no banco dos réus por matar família envenenada em Parnaíba


O juiz Willmann Izac Ramos Santos, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Parnaíba, recebeu, na terça-feira (25), a denúncia do Ministério Público do Piauí contra Maria dos Aflitos Silva e Francisco de Assis Pereira da Costa, pelos crimes de oito homicídios qualificados e três tentativas de homicídios qualificados. Os crimes foram cometidos contra membros da própria família dos acusados e uma amiga da família, por meio de envenenamento, com o uso de pesticida "terbufós", conhecido como "chumbinho". As vítimas incluem crianças e adultos, com idades que variam de 3 a 41 anos. Os homicídios ocorreram em 22 de agosto de 2024, 1º de janeiro e 22 de janeiro de 2025.

A denúncia foi apresentada pela 5ª Promotoria de Justiça de Parnaíba, com o promotor Silas Sereno Lopes à frente do caso. O magistrado determinou que os acusados sejam citados e apresentem sua resposta à acusação dentro do prazo legal. Entre as vítimas fatais estão crianças como João Miguel Silva (7 anos), Ulisses Gabriel Silva (8 anos), Manoel Leandro da Silva (18 anos) e Maria Lauane Fontinele Lopes Silva (3 anos), além de adultos como Francisca Maria Silva (32 anos), Maria Gabriele Silva (4 anos), Lívia Maria Leandra Silva (17 anos) e Jhonatan Nalbert Pereira da Silva (7 anos). Também foi

Maria dos Aflitos Silva e Francisco de Assis Pereira da Costa

Indiciamento da Polícia Civil

A Polícia Civil de Parnaíba concluiu o inquérito policial que investigava o envenenamento coletivo de oito pessoas e indiciou a matriarca da família, Maria dos Aflitos da Silva, e seu companheiro, Francisco de Assis Pereira da Costa, pelos crimes de homicídio, tentativa de homicídio, fraude processual e denunciação caluniosa. Conforme a Polícia Civil, Maria dos Aflitos e Francisco de Assis agiram de modo premeditado e meticuloso para dar cabo à vida dos membros da família, começando com as mortes de João Miguel da Silva (7 anos), em 28 de agosto de 2024, e Ulisses Gabriel da Silva (8 anos), em 10 de novembro de 2024. As duas crianças passaram mal em Parnaíba e foram internadas no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), mas não resistiram.

Francisco de Assis foi indiciado pela Polícia Civil por cinco crimes diferentes: fraude processual, quatro homicídios triplamente qualificados com aumento de pena de 1/3 a metade, três feminicídios com aumento de pena de 1/3 a metade, duas tentativas de feminicídios com aumento de pena de 1/3 a metade e uma tentativa de homicídio triplamente qualificado com aumento de pena de 1/3 a metade. Já Maria dos Aflitos foi indiciada por cinco crimes: denunciação caluniosa, quatro homicídios triplamente qualificados com aumento de pena de 1/3 a metade, quatro feminicídios com aumento de pena de 1/3 a metade, duas tentativas de feminicídios com aumento de pena de 1/3 a metade e uma tentativa de homicídio triplamente qualificado com aumento de pena de 1/3 a metade. A combinação do controle obsessivo de Francisco de Assis e a cegueira emocional de Maria dos Aflitos não parou por aí. A investigação revelou que Francisco de Assis tinha um profundo desprezo pelos filhos e netos de Maria, a ponto de controlar rigidamente os alimentos da casa, o que causava episódios de fome entre os familiares. Documentos encontrados indicam que ele tinha uma obsessão por ideais nazistas e por substâncias tóxicas, como o terbufós, que foram utilizadas para matar os integrantes da família em janeiro de 2025, seis meses após as duas primeiras mortes.

Prisão de Lucélia

Com as mortes de João Miguel Silva (7 anos) e Ulisses Gabriel Silva (8 anos), após ingerirem alimentos contaminados, a família das vítimas, incluindo a mãe das crianças, Francisca Maria da Silva, e a avó, Maria dos Aflitos, inicialmente acusaram a vizinha Lucélia Maria da Conceição. Durante a busca em sua residência, foi encontrado terbufós, o veneno utilizado nos envenenamentos, o que resultou na prisão preventiva de Lucélia. No entanto, após novas mortes na família, a situação tomou outro rumo e Lucélia foi solta seis meses depois.

O almoço de Ano Novo e novas mortes em sequência

Em 1º de janeiro de 2025, nove membros da família passaram mal após um almoço de baião de dois. Cinco morreram nos dias seguintes: Manoel Leandro da Silva (18 anos), Igno Davi da Silva (1 ano e 8 meses), Maria Lauane da Silva (3 anos), Francisca Maria da Silva (32 anos) e Maria Gabriela da Silva (4 anos). Inicialmente, Maria dos Aflitos e Francisco de Assis tentaram transferir a culpa para peixes, mas exames toxicológicos revelaram que o veneno estava no baião de dois, preparado na noite de 31 de dezembro. A investigação apontou que Maria dos Aflitos e Francisco de Assis foram os únicos acordados naquela noite e que o veneno foi introduzido na comida na madrugada de 1º de janeiro. Francisco de Assis, cujas versões mudaram várias vezes, pode ter sido contaminado de forma dérmica ao manusear o veneno.

A morte de Jocilene e a confissão de Maria dos Aflitos

Em 22 de janeiro, Maria Jocilene da Silva, vizinha de Maria dos Aflitos, morreu após ingerir café na casa da suspeita. Maria dos Aflitos inicialmente tentou encobrir o caso, alegando que Jocilene teve um infarto, mas a perícia encontrou traços de terbufós no copo da vítima. Após ser presa, Maria dos Aflitos confessou que matou Jocilene para "libertar" seu companheiro Francisco, preso por envolvimento nos envenenamentos. Ela alegou estar "cega de amor" por ele, acreditando que, ao eliminar pessoas próximas a ele, conseguiria manter o relacionamento. Com a conclusão do inquérito e o indiciamento de Maria dos Aflitos e Francisco de Assis, o relatório final foi remetido ao Ministério Público, que deverá oferecer denúncia à Justiça contra o casal.(GP1)

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