Wellington Dias, Daniel Oliveira e o menino que é o retrato do que há de mais triste no Piauí: o abandono dos pobres, a invisibilidade dos marginalizados (Foto: Montagem OitoMeia)
Um menino que ninguém sabe dizer quando nasceu. Pelas fotos, parece ter 11 anos, a mãe diz que possui 13 mas nem ela tinha certeza da data de nascimento do garoto e em diversas matérias é citado como tendo 12 anos. Um garoto que ninguém sabe como entrou na penitenciária Major César, em Altos, cidade distante 42 Km de Teresina: se levado, escondido ou às claras. É uma criança que não sabe ler nem escrever, assim como os pais, analfabetos, mas que estava matriculado em uma escola municipal com presença constante – pelo menos nos 15 dias desde que se mudou de Alto Longá, distante 54,2 km de Altos.
O menino que nunca foi enxergado e mesmo quando todos falam dele e usam as iniciais do seu nome para pressões políticas, segue sendo ignorado. A criança deixada pelos pais na colônia agrícola Major César é a face de um problema estrutural, complexo e histórico, que não vai se resolver com a saída do secretário estadual de Justiça, Daniel Oliveira, nem com a mudança de todos os agentes penitenciários envolvidos no caso e menos ainda com as midiáticas reuniões de representantes de órgãos públicos que parecem ser feitas mais com o intuito de dar uma resposta à opinião pública e menos de refletir, apontar os próprios erros e costurar soluções – algumas urgentes e outras a longo prazo – que sirvam não apenas para o menor V. R. G. S, mas para todas as crianças que são obrigadas a serem invisíveis.
A resposta do Estado foi lenta em um caso que exige urgência e sensibilidade. Mesmo quando agiu com rapidez, optou pela via policial, prendendo o pai do menino e mudando o regime de semiaberto para fechado do preso acusado de dormir com a criança (nenhum exame ou investigação apontaram abuso sexual até o momento). O que mais chama a atenção é a ausência de diálogo do governador Wellington Dias e do secretário Daniel Oliveira, com a população.
Tanto Wellington como Daniel são políticos ligados a esquerda, cuja maior bandeira é a questão social. Não deveriam, pelo bem da vítima e da coerência política, ter minimizado a questão. A situação é gravíssima e merecia mais sentimento e ação do que foi demonstrado pelos gestores. Ouvir o povo e falar para o povo, nunca é demais. Os piauienses ainda querem saber o que está sendo feito para que novos casos como esse não se repitam.
Por Sávia Barreto/OITOMEIA



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