Verônica antes das agressões Foto: Reprodução / Facebook
Verônica após ser agredida Foto: Divulgação / Defensoria Pública
A
travesti Verônica Alves, de 25 anos, foi transferida na tarde desta
quinta-feira para o Centro de Detenção Provisória Chácara Belém 2.
Verônica, que deve ficar em uma cela especial para detentos LGBT, disse
ter sido agredida por policiais militares quando foi detida, na última sexta-feira, acusada de homicídio culposo. Em imagens divulgadas no último domingo, a travesti aparece com as roupas rasgadas e o rosto desfigurado. O
advogado de Verônica Marcello da Conceição vai pedir um habeas corpus
com base no fato de ela não ter passado por uma audiência de custódia no
momento da detenção. Nesse procedimento, um juiz poderia relaxar a
prisão para que a acusada respondesse em liberdade. — Acho que ela
não foi levada à audiência por conta das lesões que sofreu, porque o
juiz ou promotor teriam conhecimento disso. Ou seja, tentaram omitir a
agressão que ela sofreu —, resumiu.
A travesti durante a prisão Foto: Reprodução / FacebookEm
conversa com advogados do Centro de Cidadania LGBT (Cads) da Prefeitura
de São Paulo na última terça-feira, Verônica afirmou que ter sofrido
agressão “em vários momentos por parte de policiais militares e de
‘preto’, fazendo referência aos agentes do Grupo de Operações Táticas
Estratégicas (GOE)”. Ela disse que foi ferida em três ocasiões: no
momento da prisão, quando atacou o agente carcerário e a caminho do
hospital, quando foi ser atendida. Na terça-feira, o Cads intermediou o encontro de Verônica e sua mãe, Marli Ferreira Alves Francisco, de 48 anos. —
Ela está bem. Está muito machucada, mas está bem. Era tudo que eu
queria, ver ela, falar com ela, abraçar... — disse Marli ao EXTRA, por
telefone.
Gravação de suposta confissão Apesar
das declarações ao Cads, um áudio circula desde quarta-feira na
internet com uma suposta confissão de Verônica afirmando que foi
“possuída” e precisou ser “contida” pelos policiais. Ela ainda diz que
não foi alvo de tortura. Na mesma gravação, Heloisa Gama Alves,
coordenadora de Políticas para a Diversidade Sexual da Secretaria da
Justiça e da Defesa da Cidadania, completa: “Está muito claro agora que
não houve tortura. A Verônica reconhece que ela mesma entrou nessa
briga”. “Qualquer dúvida, depois vocês entrem em contato comigo que eu
estou pronta pra fazer qualquer esclarecimento”, concluiu a
coordenadora. Procurada pelo EXTRA nesta quinta-feira, Heloisa, contudo,
se negou a comentar o áudio.
O
coordenador de políticas para LGBT da Prefeitura de São Paulo,
Alessandro Melchior, afirma que a versão que Verônica deu em entrevista
ao Cads não foi essa. — A percepção do Cads é diferente da versão
oficial (do áudio), de que ela não foi agredida. Na segunda à noite ela
relatou as agressões e na terça pela manhã, reiterou. Mesmo assim, não
conseguimos ter uma conversa a sós, sempre foram na presença de um
policial — contou Melchior.
Fonte: Extra
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