Cerca de 3 milhões de crianças e adolescentes no Brasil relataram ter sido vítimas de violência sexual facilitada pela tecnologia, segundo levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O número corresponde a 19% dos entrevistados brasileiros na pesquisa, que ouviu jovens de 12 a 17 anos em 21 países.
No
país, menos de 1% desses casos foram denunciados. Redes sociais e aplicativos
de mensagens concentraram a maior parte dos relatos, com 66,5% dos casos.
Instagram (57,2%) e WhatsApp (52,1%) foram as plataformas mais citadas. Os
jogos online representaram 12,3% das ocorrências.
Foto: Reprodução/Redes sociais
Quase 3 milhões de crianças e adolescentes no Brasil relatam violência sexual ligada à tecnologia
No
levantamento global, o Unicef estima que 15 milhões de crianças tenham sido
expostas a conteúdo sexual indesejado em um período de um ano. O relatório
estima ainda que 9 milhões tenham sido induzidas a manter conversas de teor
sexual ou compartilhar imagens desse cunho contra a vontade e que 4 milhões
tiveram imagens suas vazadas.
O
relatório também apontou que parte dos casos envolve pessoas já conhecidas
pelas vítimas. No conjunto dos 21 países analisados, cerca de 20 milhões de
crianças e adolescentes sofreram, no período de um ano, algum tipo de
exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia.
Entre
os casos declarados aos pesquisadores nos 21 países, aproximadamente 57%
envolviam alguém do convívio da criança ou do adolescente. Em 38% dos casos, o
contato com o agressor ocorreu pela primeira vez pela internet.
Os
dados fazem parte do relatório Pelos Olhos das Crianças: Como as Tecnologias
Digitais Facilitam o Abuso Sexual Infantil, elaborado a partir de entrevistas
com crianças e adolescentes entre 2020 e 2025.
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