30 de jun de 2017

AMAR É VERBO, PAIXÃO É TEORIA


Por: Benedito Gomes(*)
Você lembra alguma história de amor que tenha deixado marcas nos seus protagonistas? Com certeza você vai lembrar, são milhares. Quem sabe pode ter acontecido com você mesmo.
E paixão, sabe alguma coisa a respeito? A paixão está no dia a dia de muita gente, às vezes imperceptível, notada somente por pessoas estranhas. Outras vezes sentida somente por alguém que está vivendo aquele suave momento.
Entretanto há casos que a paixão te alucina, te leva à loucura, chega ao desespero, tortura a alma e destrói as emoções.
Um ser humano apaixonado só vê o que lhe convém. Se esta paixão vier acompanhado com um forte desejo, a consciência humana perde a razão e somente a tristeza e o silêncio fazem sua companhia.
E o amor o que faz então? O amor é a própria existência, sem amor não há vida, o amor traz alegria e vontade de viver. Conhecemos muito bem aquela frase: “matou por amor”. Isso não existe, pois quem ama não mata.
Quem ama conserva, preserva, admira. O amor te envolve em perfume, sentido somente por quem ama. O amor existe desde a criação do universo. Está presente na beleza das florestas, na grandeza dos mares, na imensidão do espaço. O amor também é encontrado nas pequenas coisas na beleza do sorriso, na simplicidade de um vestido de chita, no olhar de quem ama, na beleza das flores e em tudo o que pode ser amado.
Na história da humanidade o amor esteve sempre presente, às vezes em palácio suntuoso, como no vivido pelo Rei Henrique VIII e Ana Bolena, ele Rei da Inglaterra e ela Rainha Consorte. No Rio Grande do Norte há mais de cento e cinquenta anos, um grande amor aconteceu. Chegou, emocionou e uniu Armando e Rosa, que usavam o cognome de “coco verde e melancia”. Foi um amor às escondidas, foram felizes para sempre e depois de descoberto a história virou Literatura de Cordel.
O Nordeste também nos revela uma grande história de amor, passada entre florestas, entre flores e espinhos silvestres, léguas e léguas por veredas e pequenas estradas, dias de sol ardente e noites mal dormidas. Este grande amor foi vivido por Virgulino Ferreira da Silva e Maria Gomes de Oliveira, conhecidos como “Lampião e Maria Bonita”. Para este famoso casal, aquela velha frase “até que a morte os separe” não fez sentido: foram assassinados no mesmo dia e na mesma hora, então, a morte os uniu para sempre.
Se os relatos aqui citados fossem somente paixão não teriam existência duradoura, pois apenas seriam envolvidos em fantasias e afastados da realidade.
O amor pode ser conjugado em todos os tempos- do passado nos traz recordações, no presente nos permite realizações e para o futuro nos dá a oportunidade de planejar.
Se alguém diz que o amor é cego ledo engano. “O amor tem visão de lince, vê além dos olhos”. Então podemos dizer com segurança: amar é verbo, paixão é teoria.

(*)Benedito Gomes
Contador UFPI

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